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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Heráldica: Aumento de Honras

Por Sua Alteza Sereníssima
Andre Prinz von Trivulzio-Galli
14º Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico

Um tema pouco lembrado para aqueles que escrevem sobre a heráldica, é a temática do Aumento de Honras, coisa assaz bastante comum nos séculos que sucederam à Idade Média, porém quase totalmente esquecida em nossos dias.

Um Aumento de Honras, em italiano: Arma di Concessione, em inglês: Augmentation of Honor, e consiste, basicamente, na Concessão Heráldica, feita por um Imperador, Rei ou Príncipe, de parte de suas Armas pessoais a algum Vassalo seu, ou a algum partidário. 

A curiosa situação política italiana, onde não havia um Rei, porém onde a península era governada por dezenas de Príncipes mais ou menos Soberanos, possibilitou que as famílias italianas recebessem Concessões de Aumentos de Armas feitas por diversos Soberanos estrangeiros.

Brasão dos Gonzaga (depois Duques de Mantova) após o Aumento de Honras a eles concedidos em 1394 por parte do Sacro Imperador Romano-Germânico Venceslau de Luxemburgo, que sendo também Rei da Boêmia, permitiu que os Gonzaga levassem o leão da Boêmia como Aumento de suas Armas.


Os Sacro Imperadores Romanos-Germânicos foram os que mais Aumentos de Honras realizaram para famílias da nobreza italiana, principalmente àquelas do Norte. A maioria desses Aumentos consistiu na Concessão do uso da águia imperial, de sable (preta) sobre ouro. Tal águia foi utilizada tanto com uma cabeça (Impero antico) como bicéfala. 

Um Aumento de Honras, quando realizado, devia tomar a parte mais honrosa do escudo, assim, foram comuns os Aumentos de Honra utilizados em Chefe, ou ainda, no esquartelado do escudo (quando o Aumento utiliza o 1º e 4º campos), ou ainda como escudete sobre o abismo do escudo. 

O Rei da França foi sempre promissor em conceder Aumentos de Honras aos seus partidários italianos, e isso tinha uma razão prática: um Príncipe utilizando as Honras Heráldicas recebidas de um Rei estrangeiro era uma mensagem política importante, vez que, após o final da Idade Média, portar um brasão era necessariamente sinal de alinhamento político com o dono daquele brasão (mais ou menos o que se vê em nossos dias, com os partidários de determinados partidos, que usam os símbolos de seus grupos). 

Várias foram as famílias da mais alta aristocracia italiana que receberam Aumentos de Armas do Rei da França. Esses Aumentos, eram então chamados de Aumentos de França. Uma das mais antigas foi a Casa de Gonzaga, que receberam ainda em 1431 um Aumento de Honras dadas pelo Rei Carlos VII, composto por um escudo de blau, com três flores-de-lis d'ouro em contrarroquete (Armas da França) dendo por diferença uma bordadura dentada de goles e ouro. Tal concessão deu-se por ser Niccolò III d'Este, Marquês de Ferrara, de Modena e Reggio, um dos maiores partidários do Rei Carlos VII. 

Aumento de Honras atribuída aos Est, Marqueses de Ferrara, de Modena e Reggio (depois Duques de Modena e Reggio), pelo Rei Carlos VII de França.

Quanto à Casa Colleoni, esta recebeu seu Aumento de França ainda em 1440, quando Bartolomeo Colleoni, Senhor de Calcinate, de Cologno al Serio, de Malpaga e de Covo, etc., Condottiere da Sereníssima República de Veneza, o recebeu do Rei Carlos VII de França. Barolomeo Colleoni foi um dos raríssimos Armigerantes que recebeu dois Aumentos de Honras do mesmo Rei: primeiramente, teve o direito de usar seu escudo cortado, I as Armas da França, e II a dos Colleoni; mais tarde, Carlos VII lhe concedeu novo Aumento de Honras, quando lhe concedeu que usasse um escudo de blau, com três flores-de-lis d'ouro em contrarroquete (Armas da França) dendo por diferença uma bordadura de blau e ouro.

Aumento de Honras dos Colleoni, Senhores de Calcinate, de Cologno al Serio, de Martinengo, de Malpaga, de Covo, etc. pelo Rei Carlos VII de França


A Casa de'Médici, que recebeu ainda em 1465 um Aumento de Honras dadas pelo Rei Luis IX, que consistiu nas próprias Armas do Rei da França, em formato redondo, a serem utilizadas sobre o abismo (centro) de seu escudo. Depois, no tempo de Lorenzo de'Medici, dito Il Magnifico, o Aumento de França passou a ser utilizado em chefe de seu escudo.

Aumento de Honras atribuídas aos de'Medici, Duques de Florença (depois Grão-Duques da Toscana), pelo Rei Luís IX de França


A Casa de Trivulzio recebeu seu Aumento de França em 1480, quando Gian Giacomo II Trivulzio, dito Il Magno, Duque de Venosa e de Melfi, Marquês de Vigevano e Conde de Mesolcina, torna-se o Marechal do Reino da França. O Aumento de Honras da Casa de Trivulzio consistia em um escudo de blau, com três flores-de-lis d'ouro em contrarroquete (Armas da França) dendo por diferença uma bordadura de goles com oito rosas de prata.

Este não foi o único Aumento de Honras que Gian Giacomo II Trivulzio adimpliu para sua Linhagem, pois vale-se lembrar que Il Magno Trivulzio também recebeu Aumento de Honras do Papa Inocêncio VIII, que em agosto de 1487 lhe concede a Rosa de Ouro, a maior honraria que pode ser concedida pela Santa Igreja. Para simbolizar tamanha honraria, É adimplido um campo de ouro com uma faixa de prata (cores da Santa Sé), carregada de uma rosa de ouro, entre duas cruzes páteas de goles.

Aumento de Honras atribuído aos Trivulzio, Príncipes de Mesolcina, Duques de Venosa, de Bojano, de Melfi, Marqueses de Vigevano, pelo Rei Luís IX de França


Não menos famoso que os anteriores, é o Aumento de França que foi concedido ao Ramo de Nevers da Casa de Gonzaga. Os Gonzaga-Nevers receberam como Aumento de França o direito de portar um escudo de blau, com três flores-de-lis d'ouro em contrarroquete (Armas da França) dendo por diferença uma bordadura de goles com oito besantes de prata; tais Armas são chamadas de Armas d'Alençon, justamente porque foram utilizadas pelos Duques d'Alençon (da Casa de Valois). Isso foi possível uma vez que Anna d'Alençon, filha do Duque Renato d'Alençon, casou-se com Guilherme IX Paleólogo, Marquês de Monferrato, e desse casamento nasceram 3 filhos, sendo uma delas, Margherita Paleólogo casa-se com Frederico II Gonzaga, Duque de Mantova, legando então aos Gonzaga os direitos que sua mãe havia trazido com seu casamento, que passaram em seguida a Luis Gonzaga, terceiro de seus sete filhos, que casou-se com a herdeira do Ducado de Nevers, iniciando assim o Ramo dos Gonzaga-Nevers.

Aumento de Honras atribuído aos Gonzaga-Nevers, Duques de Mantova, de Nevers e de Rethel.


Algo bastante curioso sobre os Aumentos de Honras, é que eles podiam mesmo vir a serem utilizados como Armas principais da Dinastia, como muitas vezes fizeram os Gonzaga-Nevers, que passaram a utilizar seu Aumento de França como Armas plenas, mesmo que isso os colocasse em conflito com os Duques d'Alençon, que usavam as mesmas Armas.

Moeda de Carlos I de Gonzaga-Nevers, Duque de Mantova: nota-se que apenas são utilizadas as Armas de Alençon (três flores-de-lis em contrarroquete, com bordadura carregada de oito besantes).


HERALDICAMENTE o Aumento de Honras deve ser descrito à parte, de modo a se conservar na descrição heráldica o fato das peça não ser uma simples partição heráldica, mas sim ser um Aumento de Honras. Assim sendo, o brasão que segue, não deve ser descrito como "Equartelado, I e IV de blau, com três flores-de-lis d'ouro em contrarroquete com bordadura dentada de goles e ouro; II e III de blau carregado d'uma águia estendida de prata, armada, bicada, linguada e coroada d'ouro", pois, apesar de tal descrição ser heraldicamente correta ela é historicamente imprecisa, e como sabemos, Fiel Leitor, heráldica sem história é uma ciência estéril. Dessa forma, o modo correto de se descrever tal brasão, heraldicamente, é:

Equartelado: I e IV com o Aumento de Honras Concedido pelo Rei Carlos VII de França em 1431, que é de blau, com três flores-de-lis d'ouro em contrarroquete (Armas da França) dendo por diferença uma bordadura dentada de goles e ouro; II e III Armas dos d'Este, que são de blau carregado d'uma águia estendida de prata, armada, bicada, linguada e coroada d'ouro.

Uma curiosidade heráldica é o fato de que não existe nenhum termo heráldico em francês para se descrever um Aumento de Honras. Quando um heraldista franco deseja descrever um brasão que a contenha, deve utilizar o termo inglês Augmentation. Isso é de fato muito curioso, uma vez que foram os próprios Reis Franceses que mais difundiram esse costume ao longo dos séculos...

Uma coisa muito curiosa é o fato de que não foram apenas os Reis da França que concederam o Aumento de França! Por muitos séculos os Reis da Inglaterra sustentaram seus Direitos Dinásticos ao Trono da França (fato gerador da Guerra dos Cem Anos entre a Inglaterra e a França), e dessa forma, como pretendentes anglicanos ao Trono da França, os Reis da Inglaterra também concederam algumas vezes o Aumento de França a seus vassalos. O mais famoso deles é, sem dúvida, o Aumento de Honras dos Duques de Marlborough, que foi concedido no ano de 1817 pelo Rei George III, e é composto por um escudo de blau, com três flores-de-lis d'ouro em contrarroquete (Armas da França) dendo por diferença uma bordadura de goles e de prata... Todavia, os Reis da Inglaterra sustentam não se tratar de uma bordadura em goles e prata, e sim de um campo de prata, com uma Cruz de São Jorge de goles, e sobre eles as Armas da França... Teorias heráldicas à parte, a conclusão de se tratar de uma bordadura, ou de um escudete de França sobre um escudo da Inglaterra (sic) deixo ao Fiel Leitor:

Aumento de Honras atribuído aos Spencer-Churchill, Duques de Marlborougt, Concessão essa feita pelo Rei George III da Inglaterra 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Brasões da Casa Real da França

Por Sua Alteza Sereníssima
o Príncipe Andre Prinz von Trivulzio-Galli
14º Príncipe de Mesolcina
18º Duque de Venosa

Como é sabido por todos os Fieis Leitores do Blog de Cavalaria, sou heraldista há muitos anos (comecei a estudar a heráldica aos 9 anos de idade), bem como sou Monarquista até a medula de meus ossos. Mais até do que Monarquista, sou um Legitimista, em todos os usos desse termo, pois sei que não é útil um monarquia que advenha da revolução ou do golpe, uma Monarquia verdadeira deve ser, antes de mais nada, Legítima. 

Minha linhagem, a dos Príncipes de Mesolcina, recebeu numerosos títulos ao longo dos anos, alguns deles tornaram-se mais famosos, como os de Duques de Venosa e Marqueses de Vigevano, ambos couberam a Gian Giacomo II Trivulzio, que os recebeu do Rei Carlos VII da França em 1482. Como ambos são títulos hereditários, depois confirmados pelo Sacro Imperador Fernando II de Habsburgo, todavia, mantiveram sua natureza de títulos nobiliares franceses. 

Dessa forma, como um Príncipes do Sacro Império Romano-Germânico, mas também como um Duque francês, sempre tive grande interesse pela Restauração da Monarquia na França, que como sabemos, é a Filha Primogênita da Igreja, e a mais antiga Monarquia da Europa (e perceba, Fiel Leitor, que a derrocada da Monarquia na França foi o princípio da derrocada de todas as demais Monarquias do Continente). 

Na França há hoje duas "correntes" monarquistas, aqueles que apoiam Henry d'Orléans, que são por isso chamados de "orleanistas", e aqueles que apoiam o Príncipe Luis de Bourbon, Pretendente Legítimo ao Trono da França, e por isso são chamados de Legitimistas. 

Segundo os orleanistas, os Bourbons perderam seus direitos ao Trono da França, pois descendem de Felipe V de Bourbon, Duque de Anjou, que tornou-se Rei da Espanha em 1º de novembro de 1700. O fato é que a Casa de Habsburgo e a Casa de Bourbon entraram em guerra para definir de quem era o Direito ao Trono da Espanha. Para por fim a Guerra de Sucessão Espanhola (como ficou depois conhecido esse conflito), Felipe V foi obrigado a assinar o Tratado de Utrecht, onde um dos artigos definia que Felipe V abandonaria para si e para seus descendentes seus Direitos ao Trono da França, o que foi absolutamente impossível e inválido, uma vez que a Monarquia Francesa era Sucessória, e não Hereditária, como as demais.

Isso quer dizer que na França o homem mais velho da linha mais velha da Casa Capetiana (descendentes agnatos de Hugo Capeto) herda o Trono da França, independente do que ocorra. Tal Lei, chamada de Lei Fundamental do Reino da França, garantiu o famoso "Milagre Capetiano", que salvou a França se crises sucessórias desde o século X.

Encerrando de vez os argumentos daqueles que apoiam as supostas pretensões do "Conde de Paris" (Duque d'Orléans) ao Trono da França, alegando que a renúncia que Felipe V foi obrigado a assinar pelo Tratado de Utrecht foi válida, lembro-os que Louis-Philippe d'Orléans, 5º Duque de Orléans, também RENUNCIOU A SEUS DIREITOS SUCESSÓRIOS para ser eleito pela Convenção da Revolução Francesa, se não vejamos a declaração que este mesmo Duque de Orléans fez:

"Je déclare que je déposerai sur le bureau ma renonciation formelle aux droits de membre de la dynastie régnante, pour m’en tenir à ceux de citoyen français."

Louis-Philippe d'Orléans, 5º Duque d'Orléans, chegou a afirmar, perante a Convenção, ser filho de uma relação adúltera de sua mãe, e dessa forma, não ter o sangue Capetíngeo, assumindo o sobrenome de "Égalité" (Igualdade), passando formalmente a ser chamado de Philippe Égalité, como bem sabemos.

Para saber mais, recomendo esse site: http://www.viveleroy.fr/ , um dos melhores sobre o assunto. 

Esclarecendo tais aspetos, passo agora a publicar os brasões dos membros da Dinastia Capetiana, começando com Sua Alteza Real o Príncipe Luís XX de Bourbon, Duque d'Anjou, Chefe da Casa Real da França (como a lista é muito extensa, com mais de 120 nomes, blasonei apenas aqueles que possuem brasão de armas mais conhecido).

Casa de Bourbon (de França)

Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Luís XX de Bourbon,
Duque de Anjou,
Chefe da Casa Real da França, e Legítimo Rei da França, "Liutenant du Christ" (Lugar-Tenente de Cristo)

Brasão de Sua Alteza Real a Princesa Marie Marguerite, Duquesa de Anjou,
Consorte do Chefe da Casa Real da França.

Brasão de Sua Alteza Real a Princesa Maria del Carmen Martínez-Bordiú, Duquesa Viúva de Anjou,
Mãe do Chefe da Casa Real da França.
Filha de Dona María del Carmen Franco, 1º Duquesa de Franco e de Don Cristóbal Martínez-Bordiú, 10º Marquês de Villaverde.

  Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Luís de Bourbon,
Delfim da França, Duque da Borgonha,
1º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.


  Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Alfonso de Bourbon,
Filho da França, Duque da Berry,
2º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Espanha


  Brasão de Suas Majestades Católicas os Reis
Juan Carlos I da Espanha
3º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.
e Felipe VI da Espanha
4º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Sevilha

Os Duques de Sevilha são hoje os Primeiros Príncipes de Sangue da França, posição que antes cabia aos Príncipes de Condé (extintos em 1830), dessa forma propomos que utilizem tais Príncipes as Armas outrora cabíveis aos Príncipes de Condé:

Brasão atualmente utilizado pelos Duques de Sevilha

Brasão de Armas propostas para Francisco de Bourbon, Duque de Sevilha
Primeiro Príncipe de Sangue da França
5º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas propostas para Francisco de Paula de Bourbon, filho do Duque de Sevilha
Príncipe de Sangue da França
6º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas propostas para Alfonso de Bourbon, Marquês de Esquilache
Príncipe de Sangue da França
12º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas propostas para Alfonso Gonzalo de Bourbon, Duque de Santa Elena
Príncipe de Sangue da França
13º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas propostas para Alfonso de Bourbon, filho do Duque de Santa Elena
Príncipe de Sangue da França
14º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Espanha (antes: Bourbon-Duas Sicílias)


Brasão de Pedro de Bourbon, "Duque de Calabria"
(não tem direitos legítimos a esse título, bem como, ao sobrenome de "Duas Sicílias", sendo filho de um Infante de Espanha)
Príncipe de Sangue da França
20º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Duas Sicílias


Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Carlo de Bourbon-Duas Sicílias,
Duque de Castro, Chefe da Casa Real das Duas Sicílias
Príncipe de Sangue da França
25º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Antonio de Bourbon-Duas Sicílias,
Duque de Calabria, Herdeiro do Chefe da Casa Real das Duas Sicílias
Príncipe de Sangue da França
26º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Francesco de Bourbon-Duas Sicílias,
Príncipe das Duas Sicílias,
Príncipe de Sangue da França,
27º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Pe. Alessandro de Bourbon-Duas Sicílias,
Príncipe das Duas Sicílias,
Príncipe de Sangue da França,
32º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Parma

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Carlos de Bourbon-Parma,
Duque de Parma e Piacenza, Chefe da Casa Ducal de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
33º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Carlos de Bourbon-Parma,
Príncipe Piacenza, Herdeiro do Chefe da Casa Ducal de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
34º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Jaime de Bourbon-Parma,
Conde de Bardi, Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
35º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Luxemburgo (Bourbon-Parma-Nassau)


Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Jean de Bourbon-Parma,
Grão-Duque Emérito do Luxemburgo,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
37º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Henri de Bourbon-Parma,
Grão-Duque do Luxemburgo,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
38º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Guillaume de Bourbon-Parma,
Grão-Duque Hereditário do Luxemburgo,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
39º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Félix de Bourbon-Parma,
Príncipe do Luxemburgo,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
40º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa d'Orléans

Os Príncipes da Casa d'Orléans não são descendentes de Luís XIV, mas sim de seu irmão, o Duque d'Orléans, por isso, não serão chamados de Bourbon, nome ao qual que não têm direitos. São todos descendentes de Philippe Égalité.

Brasão de Armas de Sua Alteza Henri d'Orléans,
Duque d'Orléans
(o referido príncipe adotou o título de "conde de Paris", todavia não tem qualquer direito a esse título)
Príncipe de Sangue da França,
73º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza François d'Orléans,
Duque de Chartres
(o referido príncipe adotou o título de "conde de Clermont", todavia não tem qualquer direito a esse título)
Príncipe de Sangue da França,
74º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Jean d'Orléans,
Duque de Montpensier
(o referido príncipe adotou o título de "duque de Vendône", todavia não tem qualquer direito a esse título. Poderia receber o título de Duque de Montpensier (título dado ao herdeiro do Duque de Chartres), pois seu irmão, o atual Duque de Chartres é débil mental, e por não poderá ter filhos)
Príncipe de Sangue da França,
75º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa d'Orléans-Bragança


Brasão de Armas de Sua Alteza Dom Pedro Carlos de Alcântara de Orléans-Bragança
3º Príncipe d'Orléans-Bragança
Príncipe de Sangue da França,
90º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa Imperial do Brasil


Brasão de Armas de Sua Alteza Imperial Dom Luiz Gastão d'Orléans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil
Recomendaríamos aqui que Dom Luís Gastão recebesse o título de 
Duque de Valois
Para representar seu posto como Chefe dos Capetianos do Brasil
Príncipe de Sangue da França,
100º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real Dom Eudes d'Orléans e Bragança
Príncipe de Orléans e Bragança (Ramo de Vassouras)
Príncipe de Sangue da França,
101º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Imperial Dom Bertand d'Orléans e Bragança
Príncipe Imperial do Brasil
Príncipe de Sangue da França,
103º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Imperial Dom Antonio d'Orléans e Bragança
Príncipe do Grão-Pará, Príncipe do Brasil,
Príncipe de Sangue da França,
108º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Dom Rafael d'Orléans e Bragança
Príncipe do Brasil, 1º Infante do Brasil,
Príncipe de Sangue da França,
109º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Orléans-Galliera


Brasão de Armas de Alfonso d'Orléans-Bourbon, Duque de Galliera
Príncipe de Sangue da França,
114º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Ordens Dinásticas Femininas



Há mais de um ano o Blog de Cavalaria iniciou uma série de textos sobre as Ordens de Cavalaria. O primeiro texto, que teve por título Ordens de Cavalaria-Religiosas-Militares e Ordens Honoríficas: qual a diferença? (clique para acessar) foi um verdadeiro sucesso, tendo mais de cinco mil leitores apenas na primeira semana, e mais de 60 mil "cliques" no primeiro mês. Avançamos depois para o tema Ordens de Cavalaria Dinásticas: o que são? sendo também um grande sucesso de público. O terceiro texto da série que ficou conhecida como "Curso ORDENS DE CAVALARIA & ORDENS HONORÍFICAS" teve como título Ordens de Cavalaria Dinásticas de Inspiração Religiosa-Militar. Agora avançamos para um novo texto, em que trataremos acerca das Ordens "de cavalaria" destinadas apenas às mulheres, chamadas por vezes de Ordens para Damas.

Uma Damenorden (expressão alemã que quer literalmente dizer "Ordem de Damas") é uma Ordem de título Dinástica exclusiva para o público feminino. Tais Ordens geralmente são apenas concedidas a Damas Nobres, ou raramente, também àquelas não Nobres.

Poder-se-ia dividir as Ordens Femininas em duas tipos, as chamadas "Ordens da Família Real" e as Ordens de Damas Nobres, propriamente ditas.

Ordens ditas da Família Real

As ordens que são intituladas "Ordens da Família Real" (do inglês Royal Family Order) são grupos de Ordens criadas por algum Soberano e que apenas são concedidas durante a vida deste mesmo Monarca, já que, são constituídas como presentes próprios de sua Real Pessoa. 

Ordem da Família Real de Elizabet II do Reino-Unido

As Royal Family Order podem ser subdividas internamente em Classes, ou mesmo ter uma única classe. Diferente das Ordens de Damas Nobres, que são "regulares" no sentido de obedecerem um Estatuto previamente criado e aprovado, no qual se estipulam regras para nomeações, as Royal Family Order não o fazem, tanto que não há anúncio público de que uma mulher a recebeu: a única forma de saber se uma Dama foi com ela agraciada, é ver tal Dama a utilizando publicamente. Este sistema é capaz de gerar sérias dúvidas, uma vez que caso uma Dama seja agraciada com ela, mas nunca a use publicamente, é impossível alguém afirmar posteriormente que ela a recebeu. 

Uma característica própria de uma Royal Family Order é que sua condecoração sempre terá a imagem do Monarca que a criou.

Ordem da Família Real do Rei Gustavo V da Suécia

Na Suécia, onde esse grupo de ordens é mais antigo, geralmente são subdivididas em 3 Classes, assim seus três Graus são concedidos:

- Dama de 1ª Classe: Para a Rainha Consorte, Rainha Viúva e Princesas Suecas. 
- Dama de 2ª Classe: Para as Consortes dos Príncipes Suecos.
- Dama de 3ª Classe: Para as Damas da Corte Real Sueca. 

Ordens "regulares" de Damas

As ordens ditas "regulares" são as Ordens de Damas propriamente ditas, criadas com Estatutos que lhe definem o funcionamento, postos e possíveis categorias. 

Laço e condecoração da Ordem da Cruz Estrelada, a mais antiga das Ordens de Damas Nobres do mundo

A mais antiga das Damenorden's foi a Ordem da Cruz Estrelada (Hochadeliger Frauenzimmer-Sternkreuzorden em alemão) criada pela Imperatriz Eleonora Gonzaga, esposa do Sacro Imperador Romano-Germânico Fernando III de Habsburgo. Tal Ordem teve por matriz a devoção da Imperatriz a relíquia da Vera Cruz, mantida pela Casa Imperial, salva milagrosamente de um incêndio que devastou a Tesouraria Imperial. Tal Ordem foi criada em 18 de setembro de 1668 e é apenas concedidas a Condessas e Princesas austríacas. Sua Grã-Mestra é sempre uma Arquiduquesa da Casa Imperial de Habsburgo, sendo a atual Sua Alteza Imperial & Real a Arquiduquesa Gabriela von Habsburgo. 

A Ordem da Caveira Dourada, foi constituída em 1709 por Luisa Isabel da Saxônia, Duquesa Consorte de Wurtenberg. Teve curta duração e logo foi extinta.

Catarina I, com as condecorações da Ordem de Santa Catarina

A Ordem de Damas de Santa Catarina foi criada por Pedro O Grande, Imperador da Rússia,  em 1714. Foi uma das mais famosas Ordens de Damas. Dividida em duas Classes, a saber:

- Dama de Grã-Cruz: Para as Princesas Russas ou Princesas Russas por casamento e mais 12 mulheres da alta Nobreza russa.

- Dama: Em número nunca superior a 94 Damas, era reservada para as Damas das famílias da Nobreza Russa que estivessem mais próximas a Imperatriz. 

Desenho da Condecoração da Ordem de Santa Isabel da Baviera

A próxima Ordem de Damas a ser criada foi a Ordem de Santa Isabel, (em alemão St. Elisabethen-Orden) criada no Principado-Eleitoral da Baviera em 18 de outubro de 1766. A Ordem foi criada em homenagem a Eleitora Isabel Augusta von Pfalz-Sulzbach, esposa do Eleitor Carlos IV Teodoro da Baviera. Para fazer parte dessa Ordem a Dama precisava comprovar 16 gerações de antepassados Nobres. Tal Ordem é concedida até nossos dias pelo Chefe da Casa Real da Baviera.

Desenho das condecorações da Ordem das Damas Nobres de N. S. Auxiliadora

Logo em seguida foi criada a Ordem das Damas Nobres de Nossa Senhora Auxiliadora, (em alemão Orden der Edlen Damen von St. Maria Hilf ou Hilfnorden) criada pelo Príncipe Domenico II Trivulzio-Galli em 1770 para comemorar seu casamento com a Marquesa Maria Gabriella Alexandra Scarampi. O Grão-Magistério dessa Ordem sempre coube às Princesas Consortes de Mesolcina. Sua Atual Grã-Mestre é Sua Alteza Sereníssima Dona Rosa Boni e Trivulzio-Galli, Princesa Consorte de Mesolcina, esposa do Príncipe Angelo II Trivulzio-Galli, 13º Príncipe de Mesolcina. A Ordem é dividida em quatro Classes, que são:
- Damas Nobres do Grão-Colar (em número não superior a 21 Damas);
- Damas Nobres da Grã-Cruz;
- Damas Nobres Grades-Oficiais; e
- Damas Nobres.

Desenho da Cruz da Ordem das Damas Nobres de Maria Luisa.

A próxima Ordem de Damas a ser criada foi a Ordem das Damas Nobres de Maria Luisa, criada em 1792 pelo Rei Carlos IV da Espanha, para que sua esposa a Rainha Maria Luísa Farnese de Parma, pudesse recompensar as Damas que mais se destacaram em seu serviço pela Rainha Consorte da Espanha. Foi limitada a 30 Damas. A última nomeação para essa Ordem deu-se por Juan III, Conde de Barcelona, que em 1962 a concedeu a sua nora, a posterior Rainha Sofia da Grécia, que casou-se com seu filho Juan Carlos I. No Reinado de Juan Carlos I nenhuma Dama recebeu a concessão dessa Ordem, e até a presente data, nem o Rei Felipe VI a concedeu. 

Banda da Ordem da Rainha Santa Isabel de Portugal

Em 1801 fora criada pela Rainha Maria I de Portugal a Ordem Real de Santa Isabel. Sua primeira Grã-Mestre fora a Carlota Joaquina, à época Princesa Consorte do Brasil. Seus Estatutos foram fixados pelo Alvará de 25 de abril de 1804. Foi costumeiramente concedida às senhoras da Nobreza portuguesa. Sua atual Grã-Mestra é Sua Alteza Real Dona Isabel de Herédia, Duquesa Consorte de Bragança, esposa de Dom Duarte Pio, Duque de Bragança. 

Condecoração da Real Ordem Prussina de Louise

A Real Ordem Prussiana de Louise (em alemão Königlich Preußische Louisenorden ou Luisenorden) foi criada em 03 de agosto de 1814 por Friedrich Wilhelm III, Rei da Prússia, em homenagem a sua esposa a Rainha Louise zu Mecklenburg-Strelitz. Seu número foi limitado em cem Damas da Nobreza Prussiana. 
A Ordem era dividida em duas Classes. 

Condecoração da Ordem de Theresien da Baviera

Em 12 de dezembro de 1827 fora criada a Ordem Real de Theresien pelo Rei Ludwing I da Baviera para homenagear sua esposa a Rainha Therese Charlotte Luise Friederike Amalie von Sachsen-Hildburghausen. Originalmente a Ordem foi restrita a 12 Damas, número depois ampliado para 18. Posteriormente a Ordem foi dividida em 3 Classes:
- Cruz com Coroa e Brilhantes;
- Cruz com Cifra e Brilhantes;
- Cruz simples.

Ordem de Sidonien

A próxima Ordem de Damas a ser criada foi a Sidonien-Orden, criada em 31 de dezembro de 1870 pelo Rei Johann da Saxônia. A Ordem tinha apenas uma classe e era concedida principalmente para aquelas mulheres que lutaram na Guerra Franco-Prussiana.